“Eis aqui o Meu Servo, que escolhi, o Meu
amado, em quem a Minha alma Se compraz. Farei repousar sobre Ele o Meu Espírito,
e Ele anunciará juízo aos gentios” Mt 12:18
Jesus passou a maior parte dos anos que precederam seu
ministério na região de Nazaré, graças à sua localização, ficava próxima das
principais rotas usadas pelas unidades do exercito romano, bem como pelas
caravanas de mercadores. Consequentemente, Jesus teve contato com todo tipo de
pessoa culturalmente falando. Em pelo menos seis ocasiões Jesus teve contato
direto com pessoas de outras nações, contatos estes que impactaram
significativamente Seu ministério e ensino. Analisemos alguns destes contatos
nos relatos dos evangelhos.
A Mulher Samaritana – João 4:4-30
Em um dos exemplos de Cristo e suas Missões transculturais
podemos nos deparar com sua conversa com a samaritana em um local público, a
fonte de abastecimento da cidade. No tempo de Jesus, Israel era dividido em
três províncias: Galiléia, Samaria e Judéia. Samaria ficava ao centro das
outras duas cidades. Os samaritanos adoravam o Deus de Israel, mas também
adoravam deuses importados de terras pagãs. Seria um campo missionário inicial
para os apóstolos, pois geograficamente ficava próximo à Israel.
Voltando à nossa cena, apresenta-se uma mulher samaritana,
cautelosa, bem informada sobre seu povo e com perguntas inteligentes. Ela
conduz a conversa com suas perguntas, Jesus contudo, escolheu, dentre as
perguntas e declarações que ela fez, as coisas que beneficiariam a mulher
espiritualmente. Ao entrar no mais intimo da vida daquela samaritana, ao pedir
que trouxesse seu marido, sabendo que ela não era casada, mas havia tido vários
maridos, Jesus a alcança, por mais desconfortável que ela tenha se sentido.
Neste episodio segundo o costume, Jesus transgride alguns
costumes judaicos sendo: 1º pedir a uma mulher samaritana que lhe desse água;
2º, ficando sozinho com ela, nestas duas situações o judeu jogava sua reputação
no lixo. Mas Jesus sendo um evangelista, preocupado acima dos costumes com a
salvação das pessoas, não se preocupou com esta situação, Ele seguia os
costumes judaicos quando estava em território judaico, mas em Samaria ele não
se prendeu às tradições e foi em busca de testemunhar.
O oficial do exército romano – Mateus
8:5-13
Nesta outra ocasião Jesus é procurado na cidade Cafarnaum
por um oficial romano da categoria dos centuriões(comandantes de 100 homens).
Lucas descreve que o oficial vai até os “anciãos dos judeus”
(Lc.7:3) para pedir que trouxessem Jesus para curar seu servo. Apesar da grande
divisão cultural e política que havia entre romanos e judeus, havia uma
estreita relação entre os mesmos. Podemos ver que foi isso que os lideres
judeus fizeram, pediram que Jesus fosse até casa do oficial para curar seu
servo.
Entretanto, o centurião “não esperou para ver se os
próprios judeus receberiam Aquele que dizia ser seu Messias. Ao brilhar sobre
ele ‘a luz verdadeira, que alumia a todo
homem que vem ao mundo’, havia, embora à distância, discernido a glória do
Filho de Deus.” Ellen G White, DTN, p.317
Outra vez nos esbarrando nas tradições e leis, o centurião
tinha pleno conhecimento a respeito da religião judaica, onde não poderia um
judeu entrar na casa de um pagão, ele pede que Jesus atue de longe. Esta
experiência Jesus mostra como modelo para o que ocorrerá no grande dia em que
as pessoas do mundo todo se unirão aos patriarcas judeus no jantar messiânico.
Lidando com demônios – Marcos 5:1-20/Mateus
15:21-28
Já em Gadara, cidade ao lado oriental do mar da Galiléia,
Jesus se encontra com um homem possuído por demônios que de modo horrível se
manifestavam.
Um motivo pelo qual podemos interpretar como território
pagão é a cultura da criação de porcos, algo não admitido entre os judeus.
Após a libertação do homem, de sua possessão, Jesus é
convidado a se retirar da cidade, mas Ele deixa um representante que por sua
própria vida testemunharia para seus conterrâneos as mudanças em sua vida.
Em seguida Jesus se depara novamente, com a
desvirtualização da pessoa, algo que Satanás escraviza. A mãe cananéia, ilustra
a grande mistura cultural que havia naquele local.
Em uma conversa áspera Jesus prova a fé daquela mulher, que
mostra humilde disposição para receber a ajuda necessária. Contrariamente ao
que os judeus pensavam, a obra do evangelho não se destinava somente a eles,
mas devia ir também a outras nações.
Dez Leprosos – Lucas 17: 11:19
Neste relato Jesus se depara com 10 homens leprosos,
clamando: “Jesus, Mestre, compadece-te de
nós!” (Lc17:13), alguns pontos são interessantes destacar neste episódio;
primeiro, eles conheciam quem era Jesus, pois o chamaram pelo nome e seguido
por seu título; segundo, Jesus não os purifica ali, mas os encaminha até os
sacerdotes.
Ao se encaminharem para o templo, os homens começaram a ver
que sua pele estava sendo purificada, um daqueles homens, ao invés de
prosseguir, resolve voltar para agradecer o que Jesus fez por eles. Neste texto
podemos observar que o homem agradecido seria samaritano devido à posição geográfica
que se encontravam e também pela expressão usada por Jesus “este estrangeiro” (Lc 17:18). Os judeus não costumavam se
relacionar com os samaritanos, mas neste caso a doença transcendeu estas barreiras,
e o desejo comum os aproximou.
Os gregos e Jesus – João 12:20-23
Já em Jerusalém, Filipe, embora judeu, mas seu nome de raiz
grega, é questionado por alguns gregos conversos ao judaísmo, que estavam na
cidade por ocasião da páscoa, sobre a possibilidade de ver Jesus. Nesta situação
podemos ver que um trabalho missionário pioneiro obtêm melhor resultado quando pessoas
de uma mesma cultura se relacionam, pois convivem nos mesmo ambiente, mesma
realidade.
Podemos observar também que a chegada deles assinalou o
inicio da evangelização mundial. Os discípulos encontravam um mundo pronto para
receber o evangelho.
O que vamos fazer?
Recebemos diversos privilégios, grandes vantagens em termos
de verdades espirituais e teológicas, mas se não repassamos isso, vamos nos
confortando em ter e ficar somente para nós e isso é perigoso, pois chega um
momento que mais ninguém está pregando e ensinando. Precisamos nos certificar
de que estamos firmes nas verdades bíblicas e estar dispostos à compartilhar
estas verdades.
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