segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Missões transculturais


“Eis aqui o Meu Servo, que escolhi, o Meu amado, em quem a Minha alma Se compraz. Farei repousar sobre Ele o Meu Espírito, e Ele anunciará juízo aos gentios” Mt 12:18

Jesus passou a maior parte dos anos que precederam seu ministério na região de Nazaré, graças à sua localização, ficava próxima das principais rotas usadas pelas unidades do exercito romano, bem como pelas caravanas de mercadores. Consequentemente, Jesus teve contato com todo tipo de pessoa culturalmente falando. Em pelo menos seis ocasiões Jesus teve contato direto com pessoas de outras nações, contatos estes que impactaram significativamente Seu ministério e ensino. Analisemos alguns destes contatos nos relatos dos evangelhos.

A Mulher Samaritana – João 4:4-30
Em um dos exemplos de Cristo e suas Missões transculturais podemos nos deparar com sua conversa com a samaritana em um local público, a fonte de abastecimento da cidade. No tempo de Jesus, Israel era dividido em três províncias: Galiléia, Samaria e Judéia. Samaria ficava ao centro das outras duas cidades. Os samaritanos adoravam o Deus de Israel, mas também adoravam deuses importados de terras pagãs. Seria um campo missionário inicial para os apóstolos, pois geograficamente ficava próximo à Israel.
Voltando à nossa cena, apresenta-se uma mulher samaritana, cautelosa, bem informada sobre seu povo e com perguntas inteligentes. Ela conduz a conversa com suas perguntas, Jesus contudo, escolheu, dentre as perguntas e declarações que ela fez, as coisas que beneficiariam a mulher espiritualmente. Ao entrar no mais intimo da vida daquela samaritana, ao pedir que trouxesse seu marido, sabendo que ela não era casada, mas havia tido vários maridos, Jesus a alcança, por mais desconfortável que ela tenha se sentido.
Neste episodio segundo o costume, Jesus transgride alguns costumes judaicos sendo: 1º pedir a uma mulher samaritana que lhe desse água; 2º, ficando sozinho com ela, nestas duas situações o judeu jogava sua reputação no lixo. Mas Jesus sendo um evangelista, preocupado acima dos costumes com a salvação das pessoas, não se preocupou com esta situação, Ele seguia os costumes judaicos quando estava em território judaico, mas em Samaria ele não se prendeu às tradições e foi em busca de testemunhar.

O oficial do exército romano – Mateus 8:5-13
Nesta outra ocasião Jesus é procurado na cidade Cafarnaum por um oficial romano da categoria dos centuriões(comandantes de 100 homens).
Lucas descreve que o oficial vai até os “anciãos dos judeus” (Lc.7:3) para pedir que trouxessem Jesus para curar seu servo. Apesar da grande divisão cultural e política que havia entre romanos e judeus, havia uma estreita relação entre os mesmos. Podemos ver que foi isso que os lideres judeus fizeram, pediram que Jesus fosse até casa do oficial para curar seu servo.
Entretanto, o centurião “não esperou para ver se os próprios judeus receberiam Aquele que dizia ser seu Messias. Ao brilhar sobre ele ‘a luz verdadeira, que alumia a todo homem que vem ao mundo’, havia, embora à distância, discernido a glória do Filho de Deus.” Ellen G White, DTN, p.317
Outra vez nos esbarrando nas tradições e leis, o centurião tinha pleno conhecimento a respeito da religião judaica, onde não poderia um judeu entrar na casa de um pagão, ele pede que Jesus atue de longe. Esta experiência Jesus mostra como modelo para o que ocorrerá no grande dia em que as pessoas do mundo todo se unirão aos patriarcas judeus no jantar messiânico.

Lidando com demônios – Marcos 5:1-20/Mateus 15:21-28
Já em Gadara, cidade ao lado oriental do mar da Galiléia, Jesus se encontra com um homem possuído por demônios que de modo horrível se manifestavam.
Um motivo pelo qual podemos interpretar como território pagão é a cultura da criação de porcos, algo não admitido entre os judeus.
Após a libertação do homem, de sua possessão, Jesus é convidado a se retirar da cidade, mas Ele deixa um representante que por sua própria vida testemunharia para seus conterrâneos as mudanças em sua vida.
Em seguida Jesus se depara novamente, com a desvirtualização da pessoa, algo que Satanás escraviza. A mãe cananéia, ilustra a grande mistura cultural que havia naquele local.
Em uma conversa áspera Jesus prova a fé daquela mulher, que mostra humilde disposição para receber a ajuda necessária. Contrariamente ao que os judeus pensavam, a obra do evangelho não se destinava somente a eles, mas devia ir também a outras nações.

Dez Leprosos – Lucas 17: 11:19
Neste relato Jesus se depara com 10 homens leprosos, clamando: “Jesus, Mestre, compadece-te de nós!” (Lc17:13), alguns pontos são interessantes destacar neste episódio; primeiro, eles conheciam quem era Jesus, pois o chamaram pelo nome e seguido por seu título; segundo, Jesus não os purifica ali, mas os encaminha até os sacerdotes.
Ao se encaminharem para o templo, os homens começaram a ver que sua pele estava sendo purificada, um daqueles homens, ao invés de prosseguir, resolve voltar para agradecer o que Jesus fez por eles. Neste texto podemos observar que o homem agradecido seria samaritano devido à posição geográfica que se encontravam e também pela expressão usada por Jesus “este estrangeiro” (Lc 17:18). Os judeus não costumavam se relacionar com os samaritanos, mas neste caso a doença transcendeu estas barreiras, e o desejo comum os aproximou.

Os gregos e Jesus – João 12:20-23
Já em Jerusalém, Filipe, embora judeu, mas seu nome de raiz grega, é questionado por alguns gregos conversos ao judaísmo, que estavam na cidade por ocasião da páscoa, sobre a possibilidade de ver Jesus. Nesta situação podemos ver que um trabalho missionário pioneiro obtêm melhor resultado quando pessoas de uma mesma cultura se relacionam, pois convivem nos mesmo ambiente, mesma realidade.
Podemos observar também que a chegada deles assinalou o inicio da evangelização mundial. Os discípulos encontravam um mundo pronto para receber o evangelho.

O que vamos fazer?
Recebemos diversos privilégios, grandes vantagens em termos de verdades espirituais e teológicas, mas se não repassamos isso, vamos nos confortando em ter e ficar somente para nós e isso é perigoso, pois chega um momento que mais ninguém está pregando e ensinando. Precisamos nos certificar de que estamos firmes nas verdades bíblicas e estar dispostos à compartilhar estas verdades. 

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